Contam-se os dias pela data em que já não haverá mais de somá-los. Acorda-se porque já o fizeram seus olhos contragosto. Levanta-se, trabalha, estuda por mera replicância. Existe, não vive, já não se é creditado a sonhos, esses roteiros de fantasias e mundos melhores há tempos secaram na estiagem desértica de sua alma.
Pois de que lhe adianta idear aquilo há tanto já lhe subtraído, uma vida contrafeita na qual se sabe bem nunca poderá ter o que se deseja, e não se lei aqui apegos, fugacidades e pequenos devaneios clichês e originais característicos de todos da espécie que se denomina humana, mas sim matéria rara, combustível único, objeto mas-que-direto do verbo que já lhe é riscado do dicionário.
Contam-se os dias porque esses já lhes vêm como soro às veias, que como bem se tem ciência, sustenta e mantêm esses sinais aos citados por vitais, mas por meramente indicarem a manutenção da vida e não por assegurarem que essa haja.
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A sem a qual não há lá muita graça.
